À moda antiga
A geração de hoje ainda preserva o romantismo da época de seus pais?
Presentear com flores e bombons, abrir a porta do carro, beijar a mão. Certas delicadezas do romantismo da época de nossos pais se perderam com o passar dos anos. Muitos chegam a dizer que o romantismo morreu. Afinal, a forma dos relacionamentos mudou, tudo ficou mais rápido e, talvez, mais impessoal, e isso poderia implicar na extinção do que é tradicionalmente conhecido como romantismo. Afinal, será que ainda existe o romantismo à moda antiga?
Para muitas pessoas, o romantismo está acabando. A gentileza e cavalheirismo que marcaram as gerações anteriores, para muitos, não existe mais. Segundo o estudante de Educação Física Ronaldo Marra Pereira, "o romantismo é uma coisa que, atualmente, está acabando, o que é uma pena. Ser romântico é incrementar o relacionamento. Quando acaba o romantismo, o relacionamento deteriora. Eu sou romântico e adoro. Dar e receber carinho, ser educado e gentil é muito bom. Quem já foi romântico um dia, não deixa mais de ser porque é muito gostoso".
A opinião de Ronaldo é compartilhada por Luci Sicyliano da Silva, de 69 anos "bem vividos", segundo a própria. Para ela, o romantismo à moda antiga morreu. "Não existe mais aquele romantismo de antes. Ser romântico hoje se resume a viver bem, ter amizade e carinho no relacionamento. Embora não seja mais como era antigamente, ainda é essencial ter romantismo em uma relação. Se não, são duas pessoas estranhas vivendo sob o mesmo teto. Eu ainda sou do tipo que gosta de receber flores, dançar junto. Só que tem que haver reciprocidade", diz a aposentada.
Apesar do fim do romantismo parecer um consenso, a opinião de especialistas sobre o assunto não é bem essa. Para a psicóloga e livre docente em Sexualidade Humana Maria do Carmo de Andrade Silva, "o romantismo ainda existe, sim, especialmente na população mais jovem, que se apaixona mais. O romance está vinculado à fantasia e, a fantasia, à paixão. Pessoas mais velhas ainda se apaixonam, mas a intensidade desse romance perde um pouco a força conforme a pessoa vai ficando mais velha e o romantismo não fica mais tão evidente".
Aquilo que é ou não romântico também precisou se adaptar às novidades dos relacionamentos e, na verdade, o romantismo ainda existe em todas as gerações, por mais que pensemos que não. "O romantismo de gerações anteriores era muito mais intenso, havia um maior distanciamento físico-sexual. Por haver uma forte ligação entre romance, paixão e fantasia, pessoas mais racionais são naturalmente menos chegadas ao romantismo. Mas há uma delicadeza romântica hoje, sim, especialmente quando há um vínculo de afeto", argumenta Maria do Carmo.
Se o romantismo também pode estar ligado à delicadeza, existe uma tendência maior por parte das mulheres. Para Maria do Carmo, "pela própria estrutura educacional, mas mulheres tendem a serem mais românticas que os homens, pois o romance é uma coisa mais ligada ao afeto. No entanto, em termos de frequência, hoje, vê-se menos romantismo do que se via em determinadas épocas passadas. Vivemos em um mundo muito rápido, que cresceu de maneira estúpida. O romance vai em sentido oposto, corre de maneira mais lenta. O individualismo hoje é muito grande".



















0 comentários:
Postar um comentário